ASPECTOS PRÁTICOS DA PREVENÇÃO DOS CÂNCERES MAIS INCIDENTES NO BRASIL PDF Imprimir E-mail
27 de maio de 2009
Em nosso meio, a maioria dos diagnósticos de câncer é feita quando o mesmo já está em fase avançada, com poucas chances de cura e alto custo do tratamento. Ao contrário, os casos diagnosticados nos programas de prevenção de câncer são, na sua maioria, em estádios iniciais, permitindo altas taxas de cura, com procedimentos mais simples e com menor custo.
Embora a medicina esteja em constante evolução, os trabalhos científicos já realizados comprovam a eficácia da prevenção, no que diz respeito à diminuição da mortalidade, apenas para o câncer de mama, o de colo uterino e o câncer colorretal. Se aplicássemos 100% de nosso conhecimento hoje disponível, o impacto da prevenção destes cânceres na diminuição da mortalidade pelos mesmos seria notório.

CÂNCER DE MAMA

Aproximadamente 50.000 novos casos de mama ocorrerão no Brasil em 2009.  O rastreamento do câncer de mama iniciou-se nos anos 60 com o surgimento da mamografia. Recomenda-se fazer a primeira mamografia aos 35 anos. Se estiver normal, deve fazer a próxima mamografia aos 40 anos. Continuando normal, a mamografia deve ser realizada anualmente até aos 50 anos e a cada dois anos após esta idade. Em caso de mamografia com alteração, segue-se orientação médica.

CÂNCER DE INTESTINO (COLORRETAL)

É o quinto câncer mais diagnosticado no Brasil, e aproximadamente 17.000 novos casos ocorrerão em 2009.

Fluxograma para o rastreamento do câncer colorretal:

1. Idade de início:
  • 50 anos
  • 40 anos (se tiver história familiar, um ou mais familiares de primeiro grau com câncer colorretal).
  • Adolescência (se HNPCC - câncer colorretal hereditário não-polipose)
  • 10 anos (se PAF – polipose adenomatosa familiar)

2. O que deve ser feito:
  • Toque retal – anual (se suspeito, fazer sigmoidoscopia ou colonoscopia)
  • PSOF (pesquisa de sangue oculto nas fezes) – anual – se positivo, fazer colonoscopia
  • Colonoscopia – se normal, repetir a cada 5 anos. Se apresentar alteração a conduta deve ser individualizada.

CÂNCER DE COLO UTERINO

A prevenção do câncer do colo uterino começou após os trabalhos de George Papanicolaou (1941) e está comprovado que sua realização periódica reduz a mortalidade.
Toda mulher que já iniciou sua atividade sexual deve se submeter a exame preventivo periódico.  A periodicidade inicial do exame é anual. Caso dois exames anuais seguidos estejam normais, o Papanicolaou pode passar a ser feito a cada 3 anos. Caso seja detectado alteração do tipo NIC I (neoplasia intra-epitelial cervical) o exame deverá ser refeito em seis meses. Para NIC II e NIC III a conduta deve ser individualizada. Caso esteja presente infecção por HPV, o exame deve ser repetido em seis meses. Caso a amostra seja insatisfatória o exame deve ser refeito.

CÂNCER DE PRÓSTATA

A OMS não recomenda estruturação de programas de rastreamento para o câncer de próstata. A Cochrane Collaboration, em revisão sistemática de 2007, demonstra que os ensaios clínicos até o momento não apresentam evidências de que o rastreamento para o câncer de próstata tenha impacto na mortalidade para este câncer.
 
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