EQUIPES PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA NÃO ESTÃO PREPARADAS PARA IDENTIFICAR TUMORES PDF Imprimir E-mail

Matéria publicada no Jornal Correio Brasiliense em 8 de novembro de 2009 revela que o câncer “é um mal desconhecido” para profissionais integrantes do Programa de Saúde da Família(PSF).Leia abaixo, matéria de Rodrigo Couto.“Se o serviço público de saúde cumprisse à risca o teor Portaria n°2.439, de 2005, que institui a Política Nacional de Atenção Oncológica (PNAO) poderiam ser evitados parte dos 155.796 óbitos por câncer no país, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detectada em estágio inicial, a doença tem mais chances de ser eliminada do organismo. E os exatos 231.359 agentes comunitários, que constituem 28.896 equipes do Programa de Saúde da Família têm papel essencial no combate à enfermidade. Mas a estratégia de tratamento desses grupos pode não ser a mais correta, conforme constatou uma pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). Pelo levantamento, os profissionais que integram esse projeto do governo federal não têm informações precisas sobre os tumores que permitam atendimento qualificado a todos os usuários.De autoria da enfermeira Giovana Rezende Simimo, o levantamento conclui que, dos 101 profissionais entrevistados na pesquisa, entre médicos, enfermeiros, dentistas, auxiliares e técnicos de enfermagem, auxiliares de consultório odontológico e agentes comunitários de saúde, 70% nunca trabalharam com portadores de câncer. Segundo o estudo, 80% dos entrevistados sabem que existem pacientes com câncer em suas áreas de atuação, mas apenas 13% sabem a quantidade exata de casos na região. “Esses números mostram que a PNAO não foi incorporada pelo Programa de  Saúde da Família”, observa Giovana.O Ministério da Saúde afirma que o estudo é uma abordagem específica de uma amostragem de uma região do município de Ribeirão Preto, cabendo apenas analise restrita e local. “A estratégia atua como porta de entrada de um sistema hierarquizado e regionalizado de saúde. Ou seja, a partir desse primeiro atendimento, o paciente poderá ser encaminhado para outros níveis de complexidade, conforme a necessidade. No caso de câncer, há uma rede preparada para o tratamento da doença”, responde a assessoria do órgão.Apesar de não estarem incluídas no estudo realizado no interior paulista, as seis equipes de Saúde da Família que atuam na Estrutural, região próxima de Brasília, com aproximadamente 35 mil habitantes, se esforçam para atender a população local. O enfermeiro Mateus de Paula, 27 anos, conta já ter identificado casos suspeitos de neoplasias. “Na quinta-feira, encaminhei um senhor com características de câncer de pele”, diz.”Analisando a situação relatada acima, os profissionais que integram o Programa de Saúde da Família deveriam receber maiores informações acerca dos possíveis tumores que podem ser encontrados nos pacientes, melhorando, assim, o atendimento aos usuários.Mais de 90% dos investimentos na área oncológica (assistencial e preventiva, pesquisa e ensino) são destinados ao câncer em fase avançada, com poucas chances de cura. Mais de 85% dos cânceres poderiam não chegar à fase avançada se prevenidos primaria ou secundariamente, quando a cura pode ser feita com tratamentos simples (cirurgia).

 

Comentadores: Daniel Arcuschin de Oliveira *                       

Gustavo Gianotto Oliveira *                                  

 

* Acadêmicos de Medicina da Escola de Medicina Anhembi Morumbi. 
 
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