| ESTIMATIVA DE DOENÇA GLOBAL CAUSADA PELA EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA |
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Robyn M Lucas, Anthony J McMichael, Bruce K Armstrong and Wayne T Smith. Int. J. Epidemiol. Advance Access published
Comentadores: Daniel Arcuschin de Oliveira1 e Renato Santos de Oliveira Filho2. 1. Acadêmico de Medicina. Faculdade de Medicina Anhembi-Morumbi. 2. Oncologista,
pesquisador (linha de pesquisa: melanoma)
Em 1990, um estudo da
OMS (Organização Mundial de Saúde) separou a totalidade de doenças de acordo com
o ajuste de anos de vida perdidos devido à doenças específicas. Neste trabalho,
é relatado o conjunto de doenças devidas à exposição à radiação ultravioleta.
Uma revisão sistemática da literatura identificou nove doenças com evidência de
relação causal com a radiação ultravioleta (RUV), entre elas o melanoma
cutâneo. Sabe-se que a radiação ultravioleta desempenha papel importante na
gênese do melanoma. A incidência de melanoma cutâneo em pessoas que trabalham
protegidas do sol tem aumentado desde 1940 e estas pessoas recebem cerca de 9
vezes menos luz solar do que os que realizam trabalhos externos. Assim, outros
fatores devem estar envolvidos na gênese do melanoma. Os resultados desse
estudo apontam que a exposição à RUV é o menor responsável pelo número de casos
de melanoma. Um número maior de casos de câncer do que o causado pela radiação
ultravioleta é devido à redução da exposição à RUV, com conseqüente diminuição
da produção de vitamina D. Mensagens de proteção solar são importantes para
prevenir doenças causadas pela RUV. Entretanto, sem uma dieta rica em vitamina
D, a exposição solar mínima é necessária para evitar doenças causadas pela
deficiência em vitamina D. A vitamina D3, também
chamada colecalciferol, é normalmente formada na pele a partir de 7-deidrocolesterol
em uma reação fotoquímica catalisada pelo componente ultravioleta da luz solar.
A vitamina D3 não é biologicamente ativa, mas é convertida por enzimas do
fígado e dos rins em 1,25-diidroxicolecalciferol, um hormônio que regula a
absorção de cálcio no intestino e os níveis de cálcio nos rins e nos ossos
(calcitriol). O calcitriol trabalha em conjunto com o paratormonio na
homeostase do cálcio, regulando sua concentração no sangue e o equilíbrio entre
depósito e retirada de cálcio do osso. Agindo através de receptores nucleares,
o calcitriol ativa a síntese de uma proteína intestinal que se liga ao cálcio,
sendo essencial para absorção de cálcio da dieta (Lehninger, Bioquímica, 2008). A vitamina D
desempenha papel chave na manutenção da saúde musculoesquelética e da densidade
óssea. Está ligada a possíveis benefícios em diversas doenças, incluindo câncer
de mama, colorretal, câncer de próstata, linfoma não-Hodgkin, diabetes e
esclerose múltipla (Balch, Cutaneous Melanoma, 2009). A maior parte da
radiação ultravioleta é RUV A (400-315 nm) e apenas 10% dela é RUV B
(315-280nm). A estimulação de produção de vitamina D é feita pela RUV B. A
exposição à RUV é muito variável dependendo de múltiplos fatores, como hora do
dia, latitude, altitude, vestimentas, cor da pele,... A exposição à RUV deve
ser feita sob medida em relação ao ambiente e o tipo de pigmentação.
Quantificar a exposição solar ideal para se obter o melhor benefício, evitando
exposição excessiva aos raios ultravioleta e receber a exposição mínima
necessária para a produção de vitamina D parece ser a melhor atitude diante da
luz solar. |