| CÁPSULAS NANOSCÓPIAS |
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3/11/2009 Agência FAPESP – Cientistas da Universidade
Washington, em Saint Louis, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema
composto por uma “nanogaiola” de ouro coberta com um polímero que poderá servir
para direcionar medicamentos a alvos específicos no organismo. A pequena
gaiola de ouro coberta com um polímero inteligente responde à luz, abrindo para
esvaziar seu conteúdo e fechando novamente quando a luz é apagada. O método
para fabricar as cápsulas e os testes de desempenho foram descritos em artigo
publicado na edição de domingo (1º /11) da revista Nature Materials. O
estudo foi coordenado por Younan Xia. O sistema
é projetado para ser preenchido com uma substância medicinal – como
quimioterápicos ou bactericidas –, liberando quantidades cuidadosamente
calculadas de droga junto ao tecido no qual ela deve ser administrada. De
acordo com os autores, o sistema de entrega maximiza os efeitos benéficos do
medicamento e diminui efeitos colaterais. O
primeiro passo para fazer a cápsula inteligente consistiu em combinar um
agrupamento de nanocubos de prata.
Minúsculos cubos de cristal podem ser feitos por meio da adição de nitrato de
prata a uma solução que doa elétrons para os íons do metal, permitindo que eles
se precipitem como prata sólida. A adição de outra substância estimula os
átomos de prata a se depositarem em partes específicas de um cristal, levando à
formação de cubos com arestas, em vez de formar blocos disformes. O segundo
passo foi cortar os oito cantos dos cubos, que serviram como moldes para as
gaiolas de ouro tomarem forma. Quando os nanocubos de prata foram aquecidos em
ácido cloroáurico, os íons de ouro no ácido roubaram elétrons dos átomos de
prata nos cubos. A prata se dissolveu e o ouro se precipitou. Uma
película de ouro foi formada sobre os cubos de prata, conforme os cubos eram
escavados de dentro para fora. Os átomos de prata entraram na solução através
de poros que se formaram nos cantos cortados dos cubos. “A parte
realmente interessante – desse sistema e da nanotecnologia em geral – é que as
pequenas gaiolas de ouro têm propriedades muito diferentes do ouro bruto.
Especialmente em sua resposta à luz”, disse Xia. O físico
inglês Michael Faraday (1791-1867) foi o primeiro a perceber que uma suspensão
de partículas de ouro brilhava com uma coloração vermelho-rubi, porque as
partículas são extremamente pequenas. “Sua amostra original de um coloide de
ouro ainda está no Museu de Faraday, em Londres, mais de 150 anos depois”,
contou Xia. A cor é causada
por um efeito físico conhecido como ressonância de plasma de superfície. Alguns
dos elétrons nas partículas de ouro não são ancorados em átomos individuais,
mas formam um gás que flutua livremente. “A luz,
incidindo sobre esses elétrons, pode levá-los a oscilar. Essa oscilação
coletiva, o plasma de superfície, adquire um determinado comprimento de onda,
ou cor, diferente da luz incidente. E essa é a cor que vemos”, explicou. A
ressonância – nome da forte resposta em um determinado comprimento de onda – é
o que faz vibrar uma corda de violino com um tom específico, por exemplo. A
ressonância do plasma de superfície pode ser sintonizada no mesmo sentido em
que um violino é afinado. “Faraday
utilizava partículas sólidas para fazer seu colóide. Podemos ajustar o
comprimento da onda ressonante alterando o tamanho das partículas, mas apenas
dentro de limites estreitos. Não podemos chegar aos comprimentos de onda exatos
que queremos”, disse Xia. Os
comprimentos de onda desejados pelo grupo são aqueles nos quais o tecido humano
é relativamente transparente, possibilitando que as gaiolas, na corrente
sanguínea, possam ser abertas pelo brilho de uma fonte de laser sobre a pele.
Alterando-se a espessura das paredes das nanogaiolas, sua coloração pode ser
ajustada em uma amplitude maior que as partículas sólidas. “À medida
que mais ouro é depositado na armação, a suspensão de nanogaiolas muda do vermelho para o roxo, o azul brilhante, o
azul-escuro ou para os comprimentos de onda do infravermelho próximo”, disse. Os
pesquisadores querem atingir uma estreita faixa de transparência do tecido que
se situa entre 750 e 900 nanômetros, no infravermelho próximo. Essa faixa é
limitada por comprimentos de onda fortemente absorvidos pelo sangue e, por outro
lado, pelos que são absorvidos pela água. A luz
nesses comprimentos de onda pode penetrar profundamente no corpo. “A carne é
bastante transparente para um comprimento de onda de 780 nanômetros. Isso pode
ser demonstrado quando colocamos um diodo laser vermelho na boca e a luz pode
ser vista por fora”, disse Xia. Segundo
Xia, na frequência ressonante a luz pode ser espalhada fora das gaiolas,
absorvida por elas, ou passar por uma combinação desses dois processos. “Assim
como sintonizamos a ressonância de plasma de superfície, podemos ajustar a
quantidade de energia que é absorvida – e não espalhada – manipulando o tamanho
e a porosidade das nanogaiolas.
O artigo Gold nanocages covered by smart
polymers for controlled release with near-infrared light, de Younan Xia e
outros, pode ser lido por assinantes da Nature Materials em www.nature.com/naturematerials. |